Transposul gera mais de R$ 1 bilhão em negócios

Antes mesmo do apagar das luzes da 22ª Transposul, enquanto alguns negócios ainda eram realizados, a Feira e Congresso de Transporte e Logística atingia uma marca expressiva: foram mais de R$ 1 bilhão movimentados em negócios durante os quatro dias de feira. Cerca de 18 mil pessoas circularam no evento, que foi realizado no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), em Porto Alegre (RS).

O montante, que por si só já é expressivo, pode ser dimensionado se comparado aos valores da edição anterior. Em 2019, foram cerca de R$ 260 milhões em negócios — o que significa dizer que, neste hiato ocorrido por conta da pandemia, as negociações durante a Transposul deram um salto de quatro vezes em termos de receita.

Por mais que houvesse espera por parte do setor, após três anos sem ser realizado, o evento superou a expectativa de todos. “Superou todas as expectativas em número de visitantes e em negócios. Estamos extremamente satisfeitos. O público também está muito satisfeito e agradecido. Trouxemos palestras com temas atuais, de mercado, economia e em relação ao segmento”, comemorou o presidente da Transposul, Roberto Machado da Silva.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS),  Sérgio Gabardo, também avaliza o sucesso da feira. “Quando a gente faz um projeto, espera que ele ocorra como o planejado. Mas nós superamos as expectativas dos expositores e dos embarcadores. Havia uma necessidade nesse momento de mudança, o que não estava acontecendo. A gente conversava com os associados que necessitávamos de mudanças, e pudemos apresentá-las aqui”, afirmou.

O congresso deste ano não foi apenas a 22ª edição da feira — ele apresentou três anos de avanço em tecnologia, inovação, conceito, sustentabilidade, economia e segurança. Representou um passo importante para o setor e reuniu o que há de melhor em logística de transporte de cargas. “Talvez essa tenha sido a questão da magnitude da feira. Ela acumulou três anos e trouxe todo esse período de avanço para a Transposul. Realmente foi o diferencial da feira”, resumiu Machado.

O presidente da Transposul vê duas feiras totalmente diferentes entre 2019 e 2022. Acredita que o setor evoluiu muito nos últimos anos e que foi cumprido o papel de apresentar essas inovações. “A diferença é total de antes da pandemia. Uma inovação muito grande na questão tecnológica, nos produtos que estão sendo ofertados, caminhões, implementos, sistemas de rastreamento, tecnologia embarcada. Tudo muito superior à última edição”, disse.

Na mesma linha, o presidente da SETCERGS ressalta a extrema diferença entre os veículos antigos e as frotas mais modernas. “Hoje, um caminhão mais novo é mais econômico, com equipamentos que têm capacidade maior de carga e controle mais rígidos, mais sólidos”, disse Gabardo.

Ele destacou também a mudança na matriz energética mundial, afirmando que essa revolução também passará pelo transporte de cargas, que contará com caminhões adaptados a fontes alternativas de energia, que utilizem menos combustíveis fósseis. “Na questão da energia, a gente sabe que ela vai e precisa mudar. O automóvel, fala-se que, em 2025, não vai mais produzir combustíveis fósseis. Nenhuma empresa vai sobreviver se ela não pensar em sustentabilidade, que é pensar onde joga fora o lixo, a água ser reutilizada, energia solar, uma série de coisas”, salientou.

Um dos chamarizes da Transposul neste ano foi a participação de caminhões elétricos. A Volkswagen Caminhões e Ônibus aproveitou a feira para apresentar, entre outros produtos, o seu modelo de veículo nessa categoria.

O diretor adjunto de vendas, marketing e pós-vendas da empresa, Sérgio Pugliese, informa que o caminhão 100% elétrico é produzido na planta da companhia em Resende (RJ), e há uma capacidade de fabricação de até 500 unidades ao ano. Ele detalha que cerca de 60% das peças são comuns ao do similar movido a diesel, mas o que o torna diferente é fundamentalmente o motor elétrico. Entre os benefícios do modelo, Pugliese aponta o menor impacto ambiental, com a substituição do uso do combustível fóssil, e o menor ruído gerado quando o veículo está se movimentando. “Essa é uma vantagem para uma operação noturna em um centro urbano, não incomodando as pessoas à noite”, argumenta.

Como toda tecnologia nova, o caminhão elétrico também é mais caro do que os produtos convencionais. O diretor informa que o veículo, hoje, custa quase três vezes mais que um modelo a diesel. Porém, argumenta que a perspectiva é de que a diferença diminua com o passar do tempo, com o avanço tecnológico. E, mesmo hoje, o produto já desperta o interesse de empresas com políticas de ESG (Environment, Social and Governance) ou com metas de redução de emissões.

Como o caminhão da Volkswagen na Transposul estava disponibilizado para test-drive, o aposentado Fábio Salvatti Pêra aproveitou a chance e aprovou a experiência. Ele comenta que a característica que mais chamou a atenção no veículo elétrico foi a sua operação silenciosa. Pêra acredita que esses produtos devem se difundir no país, mas ainda terão que superar obstáculos como o preço mais elevado e o limitado número de pontos em que é possível fazer a recarga.

A Iveco é mais uma montadora de caminhões atenta à revolução sustentável que ocorrerá na indústria nos próximos anos. Embora ainda não haja produtos a serem ofertados no Brasil, a empresa já produz, no exterior, veículos pesados totalmente elétricos, e está ciente dos desafios de se ter um transporte de cargas menos poluente no país.

“Quando começar a ter muitos caminhões elétricos aqui, a gente vai ter uma certa dificuldade. Porque num veículo elétrico, você fica uma hora, duas horas carregando. Se tiver 10, 20 veículos, acaba se perdendo muito tempo com recarga. Aí tem fila, para abastecer um caminhão desse se gastam 10 minutos num posto. Agora, se for recarregar a bateria, vai demorar duas horas”, aponta o instrutor técnico da Iveco Brasil, Otacir José Mendes. Ele atenta ainda para problemas práticos da mudança da fonte energética, como falta de energia e onde descartar as baterias.

Por: Diego Nuñez | De: Jornal do Comércio | Foto: Andressa Pufal/Jornal do Comércio