Fabricantes de caminhões e ônibus vão investir R$ 6,8 bilhões no Brasil até 2025

As fabricantes de caminhões e ônibus instaladas no Brasil vão investir R$ 6,8 bilhões no país até 2025. O valor é resultado dos investimentos previstos por Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) e Volvo. Portanto, dá para dizer que muitas novidades estão a caminho. Para a Daimler, por exemplo, o Brasil é o maior mercado do mundo no setor de caminhões. Assim, o país fica atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.

Segundo o presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Karl Deppen, em entrevista ao Estadão, as matrizes, sobretudo das fabricantes de caminhões e ônibus, estão cada vez mais rigorosas quanto a investimentos. “Nosso setor está passando por uma grande transformação para reduzir as emissões de CO2. E as empresas necessitam de estabilidade para poder planejar a longo prazo.”

No caso do Brasil, Deppen cita o crescente aumento de preços de componentes como outro entrave. Nesse sentido, também há falta de matéria-prima. Ele também se preocupa com o aumento do dólar em relação ao real e a sombra da inflação que volta a bater à porta do País. “Essas condições colocam em risco significativo a competitividade da indústria nacional. E isso leva, portanto, os investidores a serem mais cautelosos em relação ao Brasil.”

Contudo, ele diz que a Mercedes-Benz está fazendo a lição de casa para que o negócio brasileiro seja sustentável aos olhos da matriz. “Estamos focados em nos manter na vanguarda das inovações. E isso através de produtos e serviços mais competitivos e rentáveis aos nossos clientes da região.”

O ciclo atual de investimentos da Mercedes-Benz é de R$ 2,4 bilhões. Iniciou em 2018 e termina no próximo ano. De acordo com a empresa, R$ 100 milhões foram utilizados para a modernização da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A montadora implantou a linha de cabines 4.0 na fábrica de caminhões e mais R$ 107 milhões na construção de uma nova linha de ônibus, e que também tem manufatura avançada. Já o desenvolvimento e a produção da nova família de caminhões extrapesados Novo Actros absorveram R$ 1,4 bilhão.

A companhia se prepara para continuar a modernização da fábrica. Em breve, portanto, será a vez das linhas de câmbio, motor e eixos. Elas também vão receber os conceitos da indústria 4.0. De acordo com a empresa, até o próximo ano haverá mais desenvolvimento de novos produtos e serviços de conectividade. Em parceria com a Bosch, a Mercedes-Benz também está se preparando para a construção de um centro de testes veiculares em Iracemápolis, no interior de São Paulo. De acordo com a Mercedes-Benz, o local irá realizar diferentes tipos de testes para empresas do setor automotivo. O aporte será de R$ 70 milhões.

Pelo lado da Volkswagen Caminhões e Ônibus o investimento vigente é de R$ 2 bilhões. O dinheiro será  aplicado a partir deste ano. E a duração é até 2025. O aporte tem foco em novas tecnologias. E isso inclui caminhões com motorização elétrica que melhoram a eficiência energética com redução de CO2. Aliás, neste ano a marca vai lançar a linha Delivery elétrica. A empresa também está empenhada na digitalização e na conectividade para soluções de transporte. E também vai direcionar o dinheiro para a melhoria das linhas de produtos. Também tem planos para a internacionalização da marca.

Presidente e CEO da VWCO, Roberto Cortes diz que o mercado brasileiro de veículos comerciais está se recuperando. E isso é importante para a VWCO. “As  vendas são historicamente mais relevantes no Brasil. Por isso é um mercado muito importante”. Cortes afirma que a empresa mantém a confiança no país para investir, contratar e buscar parcerias internacionais. De acordo com o executivo, a VWCO participa ativamente de debates com a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) sobre os velhos e conhecidos problemas do Brasil. Entre eles, a falta de competitividade. Ela ocorre por causa dos altos custos para produzir e distribuir produtos. “Há saídas para fomentar a indústria. Um exemplo, portanto, seria a adoção de um programa de renovação das frotas brasileiras de caminhões e ônibus.” De acordo com ele, a iniciativa tiraria de circulação veículos altamente poluentes. E contribuiria para a redução de custos de frete e movimentaria toda a cadeia produtiva.

A Scania também tem planos ambiciosos para o mercado brasileiro. De 2021 a 2024, a fabricante sueca vai investir R$ 1,4 bilhão no país. O aporte permitirá a continuidade dos investimentos de atualização e modernização do parque industrial. E, além disso, projetos ligados ao desenvolvimento de veículos movidos a combustíveis alternativos. Esse é o caso dos caminhões movidos a gás. Eles começaram a ser produzidos no país no ano passado.

Diretor Institucional da Scania Latin America, Gustavo Bonini diz que é fundamental que o Brasil avance na agenda de reformas tributárias e administrativas. Isso, de acordo com ele, aumentaria a competividade e diminuiria o custo. Mas, de qualquer forma, a Scania está há 63 anos no País. E continuamente mantém os ciclos de investimentos.

“Por cauda do nosso sistema de produção global, a regularidade nos investimentos nos permite ter uma planta competitiva dentro do próprio grupo. Ou seja, conseguimos flexibilizar a produção. Além disso, exportar para qualquer continente”, diz. De acordo com Bonini, isso ajuda a superar momentos de instabilidade no mercado interno.

Por fim, o ciclo atual de investimentos da Volvo é de R$ 1 bilhão, com início em 2020 e término em 2023. Presidente do Grupo Volvo América Latina, Wilson Lirmann confirmou recentemente a continuidade deste aporte, mesmo com o cenário de pandemia. O dinheiro será aplicado nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, para novos produtos e serviços. No entanto, a empresa também realizará melhoria de processos industriais e de gestão. De acordo com Lirmann, a Volvo está confiante e otimista, mesmo com as dificuldades atuais que o Brasil enfrenta. “Portanto, estamos enxergando um avanço expressivo em 2021. Por fim, temos boas projeções para o Brasil”, conclui.

Por: Aline Feltrin | De: Conteúdo Estadão | Foto: Volvo